MPF E DEFENSORIA PÚBLICA QUEREM EXPLICAÇÃO SOBRE O ENEM.

SÃO PAULO - A Justiça Federal no Ceará deu cinco dias para que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), braço do Ministério da Educação responsável pelo Enem, se pronuncie sobre pedido do Ministério Público Federal para que o órgão mostre a todos os alunos a cópia da redação e a correção do exame. Até agora, 71 alunos já tiveram acesso à prova por meio de ações judiciais.
A mesma decisão impõe 5 dias para que o Inep explique quais foram os critérios para atribuição da nota da prova objetiva dos alunos do Colégio Christus, de Fortaleza. Ao todo, 1.139 alunos do colégio e curso pré-vestibular tiveram 14 questões anuladas porque, segundo investigações, tiveram acesso antecipado a questões. O MEC defende que, mesmo com número desigual de questões analisadas, é possível manter equilíbrio na nota em função da Teoria de Resposta ao Item (TRI), modelo de correção adotado no Enem.

O MEC afirma ter analisado a revisão de notas em 27 casos. Só no caso de um estudante de São Paulo a nota foi alterada. Além do MPF no Ceará, a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro também pediu acesso à redação para todos os participantes do Enem. A Defensoria ainda pede na ação civil pública que seja aberto, após a vista da prova, prazo de 10 dias para recurso. Além disso, que seja prorrogado o prazo de inscrições no Sistema de Seleção Unificado (Sisu).

O Ministério Público Federal no Ceará e a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro querem que o acesso à correção da redação do Enem seja estendido a todos os estudantes que fizeram a prova em 2011 - cerca de 4 milhões. Os dois órgão entraram nesta terça-feira, 10, com o pedido na Justiça Federal dos respectivos Estados. O Ministério da Educação (MEC) informou que 71 alunos em todo o País já tiveram acesso à cópia das redações. Todos reclamavam da avaliação dos textos. Até agora, no entanto, apenas um aluno teve a nota modificada.

A Defensoria do Rio, que recebeu mais de 30 reclamações, ainda pede na ação civil pública que seja aberto, após a vista da prova, prazo de 10 dias para recurso. Além disso, que seja prorrogado o prazo de inscrições no Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Apesar da iminência de uma chuva de processos, o MEC, por meio de sua Assessoria de Imprensa, afirma que encaminhar a redação a todos os estudantes é inviável. O órgão diz ter analisado a revisão de notas em 27 casos e somente no caso do aluno paulista ocorreu alteração.

De acordo com o MEC, o aluno, estudante de 17 anos do Colégio Lourenço Castanho, teve acesso à cópia de seu texto hoje. A pasta se recusava a mostrar a prova, mesmo já tendo alterado a avaliação do aluno de "anulada" para 880 pontos.


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